sábado, 8 de abril de 2017

A «Mulher» comanda!


Olha para elas, todas catitas!
Ontem, foi dia da mulher, em Moçambique (aqui foi no dia 8 de Março) e o pessoal de Metangula comemorou em grande. Das muitas fotografias publicadas no Facebook, retirei esta para me servir de ilustração a estas poucas palavras que aqui resolvi deixar.
Toda a gente vestida com as melhores roupas, houve música, discursos, muitas fotografias e tudo mais que é habitual para animar estas ocasiões. As senhoras mais idosas protagonizaram um autêntico desfile de capulanas que dava gosto ver. melhor que isso só os desfiles de moda em Paris.
Em Metangula é tudo em grande!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Pelo menos duas!

Só dei uma em Março e quero dar outra antes que o mês acabe!
Estou a falar de mensagens dadas aos meus leitores, neste espaço que mantenho aberto para todos eles. De facto não tenho muito, para não dizer nada, para lhes transmitir, mas a simples passagem por aqui obriga-me a deixar um testemunho que se veja, quero dizer, que se leia.
Os meus contactos do Facebook que deviam ajudar-me com notícias e fotografias daquela terra não ligam pevide a isto. Limitam-se a encher a sua cronologia com fotografias da sua cara (que não interessa a ninguém) e notícias nem vê-las. Tirando o Patriota ou o Notícias de Lichinga, todo o resto é para esquecer.
As fotografias que tenho são antigas e, se não me engano, já foram todas publicadas, algumas talvez mais que uma vez. Mas vou arriscar-me e escolher uma das que tenho aqui no disco do meu computador e quem não gostar, ponha na borda do prato.


Foto tirada no tempo da CF8, com a minha esquadra em patrulha pelas margens do lago, dentro da península de Metangula. Esta palhota pertencia a uma pequena povoação que ficava perto da ponta sul da pista de aterragem.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Arquivo histórico!

Desde 1988 que existe em Metangula um «Arquivo Histórico», onde estão guardados todos os documentos do «Posto Administrativo da Vila Augusto Cardoso». Não sei se bem ou mal preservados, mas isso também pouco interessa agora.


O meu amigo Luis Cuamba passou por lá, há algum tempo atrás, e fez-me esta fotografia para servir de prova àquilo que digo. No Arquivo Histórico da Marinha não encontrei um único documento que tivesse sobrado do Comando Naval de Lourenço Marques. Pelo contrário, em Metangula, se não tiverem sido usados como papel higiénico, poderão encontrar-se documentos capazes de nos contar um pouco de história da Era Salazarenta.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Problema sério!

Quem diz que a vida em Metangula é um problema e que a falta de água potável outro muito maior, veja como as coisas são na capital.


No bairro do Chamanculo, as coisas são muito piores. E como resultado um surto de cólera que ceifou algumas vidas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Arquivo fotográfico!


Arranjei esta nova foto do edifício de comando da nossa Base de Metangula e não encontro melhor lugar para a "arquivar" do que aqui no blog. Está um tanto ou quanto escura, parece ter sido tirada num dia de nevoeiro, mas vê-se o edifício, a torre e os jipes com muita nitidez e isso interessa-me.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Resistindo às balas!


Em 1964, quando cheguei ao Lago, a Lancha de Fiscalização Pequena Castor era quase tudo que tínhamos para navegar naquelas águas. E digo quase, porque além desta lancha tínhamos uma baleeira que era pilotada por um Cabo-de-Mar que, por coincidência regressou à Metrópole na nossa companhia, a bordo do Infante D. Henrique.
E muito embora existam relatos que afirmam que os primeiros tiros da Guerra Colonial, no Niassa, em Moçambique, foram disparados contra o Posto Administrativo do Cobué, eu garanto-vos que foram disparados contra esta lancha, na madrugada do dia 24 de Setembro, estando ela fundeada na baía de Metangula. Não lhe fizeram grande mossa essas balas, nem aquelas que contra ela voltariam a ser disparadas no dia 9 de Janeiro de 1965, no Lipoche, dia do meu baptismo de fogo.
Não o posso garantir, mas tenho quase a certeza que foram as duas únicas vezes que esteve debaixo de fogo. A primeira fez-me viajar de emergência de Lourenço Marques até Metangula, a segunda não me roubou a vida por mero acaso. Antes de mim e trepando para bordo exactamente pelo mesmo cabo que eu usei um minuto depois, foi morto um cipaio que nos acompanhava na operação.
Pouco tempo depois de eu ter saído de Metangula, no ano de 1968, foi esta lancha oferecida ao Malawi, como paga pela política de boa vizinhança e rebaptizada com o nome de John Chilembwe.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Apita o comboio!

Entre-Lagos, como nome indica, é uma povoação que fica localizada a sul do Lago Niassa e na região onde existem vários lagos mais pequenos, no sul do Malawi.


Mesmo situada num local onde água é o que mais há, não pode o povo que por lá vive evitar o problema da seca. Ter água por perto, mas não ter meios para a bombar para onde ela faz falta é o problema dessa pobre gente. E do governo também, pois não se mostra capaz de o resolver.


Desde a passada quinta-feira, dia 2 de Fevereiro de 2017, que apita o comboio em Entre-Lagos, povoação fronteiriça do distrito de Mecanhelas, província do Niassa. Trata-se de uma nova ligação ao vizinho Malawi, a partir da intersecção da Linha de Nacala/Nampula/Lichinga, em Cuamba.


São cerca de 230 kms que correspondem a cerca de 3 horas de viagem. Não sei é se haverá passageiros suficientes que justifiquem a exploração desta nova linha. A zona entre Cuamba e Entre-Lagos é quase um deserto e a menos que haja algum intercâmbio com os vizinhos malawianos a coisa pode dar para o torto. Não sei se activa ou desactivada, existe um prolongamento desta linha para o interior do país vizinho, o que pode abrir uma possibilidade de negócio. Para as gentes do sul do Malawi existem duas possibilidades de ir até à costa ver as águas azuis do Oceano Índico. Uma é seguir pela Linha do Sena, em direcção à Beira, a outra seguindo a nova linha, via Cuamba, até Nacala.


O pessoal do Lago, farto de comer peixe de água doce, vai começar a receber peixe do mar, vindo de Nacala. Aí é que eles vão ver a diferença de sabor que há entre os dois.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Viagem a Metangula!

Um dos ex-combatentes que, como eu, andou pelo Niassa durante a Guerra Colonial, resolveu voltar lá para matar saudades. Fez muitas fotografias e sabendo que me interesso por tudo o que tem a ver com Metangula, enviou-me algumas.





As nossas lanchas, como já tive oportunidade de mencionar noutras publicações, estão pouco menos que ao abandono, em especial as de desembarque que não têm grande serventia para eles. O dinheiro não abunda, em Moçambique, e a Marinha no Lago Niassa não é uma prioridade. Muito embora o Malawi e a Tanzânia disputem as águas do lago como se Moçambique não existisse.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Fotógrafo de ocasião!

O Luís Cuamba foi até ao Niassa e prometeu fazer umas fotografias para nos mostrar como está aquilo por lá agora. Sei que ele não é fotógrafo profissional, mas alguma coisa se há-de aproveitar. Vou esperar para ver.


Nos meus tempos de Metangula, o que mais havia por lá eram macacos, principalmente naquela estrada que saía para norte, em direcção à Messumba. Se calhar, com o aumento exponencial da população, os macacos tiveram que emigrar para outro lado.
Azar para eles que também não podem viver em paz!