sábado, 20 de agosto de 2016

Nada mudou em 50 anos!


Esta é uma imagem recente tirada numa qualquer aldeia do Niassa, em Moçambique. Eu que me passeei por muitas localidades do Niassa, antes e durante a Guerra de Libertação, posso garantir que nada difere daquilo que por lá vi nesse tempo. As mesma capulanas, os mesmos utensílios de cozinha, a criança pendurada na mama da mãe, etc..
Basta-me fechar os olhos e vejo esta mesma imagem que me ficou gravada na memória dos tempos que passei no Niassa.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Peixinhos do lago!


Pesquei esta imagem numa notícia cujo título era "Maniamba". Achei estranho, pois que eu saiba o lago não chega a Maniamba e, portanto, parti do princípio que isto só pode ser Metangula ou perto daí e tudo que diga respeito a Metangula me interessa.
Numa fase mais aguda da guerra, no ano de 1967, faltou-nos o abastecimento. O Dakota que nos abastecia avariou e a estrada para Vila Cabral estava também cortada, com as pontes do caracol dinamitadas. No paiol só tínhamos farinha para a padaria, fardos de bacalhau e montes de massa (cotovelos). Como a carne também não era fácil de arranjar, teve que ser o bacalhau a dominar as receitas. Mas bacalhau com massa não é grande petisco e para criar alguma variedade na ementa começámos a ir à pesca. Um bote a remos, duas granadas e ... lá vai disto. Só que peixe de água doce com massa é ainda pior que bacalhau.
Durou para cima de um mês essa situação e quando vimos o Dakota surgir, de novo, nos céus de Metangula, demos graças a Deus pelo fim da dieta forçada. Entretanto começou a funcionar a linha de abastecimento do Catur a Metangula, via Meponda e nunca mais houve problemas. Bons amigos meus foram motoristas dos camiões que faziam esse serviço, nomeadamente, o Licínio, o Jaquim Alturas e o Tony Conquistador.
Isto também é História, contada por mim e lida por vós que aqui me vindes visitar!

sábado, 23 de julho de 2016

Será que é desta?


Se o presidente da república já chegou a Metangula, é bem possível que o resto também chegue. Que lancha será esta em que ele navega no lago? Até à chegada do Chambo não havia ali barco que merecesse tal nome, só pirogas e pouco mais, usadas pelos pescadores para garantir o seu sustento. Pelo aspecto dos comandos a que se agarra o presidente parece coisa nova e moderna. Esperemos que sim, pois Metangula merece.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Nada como a natureza!

Fui dar uma volta até Metangula e vejam o que encontrei! Uma obra-prima da natureza que não se pode encontrar em Roma, Milão ou Paris. E nem em Londres ou Nova Iorque se encontra tanta beleza junta. O lago, os frutos e a Eva negra ... com pelo e tudo, o melhor que a natureza tem para nos oferecer e ... tudo de borla!


Neste dia, em que se prepara a noitada de S. Pedro, em que não vai faltar comida, bebida e batuque, até que o sol volte a espreitar no oriente, eu quis oferecer esta prenda aos resistentes que continuam a visitar os blogs em detrimento do Facebook que eu comparo ao Mac Donalds, um restaurante de «Fast Food» que não interessa a ninguém.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Evolução no tempo!


No edifício que se vê em primeiro plano, dormi durante 3 meses, no ano de 1964. Nenhum dos edifícios que se vêem à volta, quer dentro da Base quer fora, existia nessa altura. E até a parte mais branquinha deste edifício me parece ter sido construída depois, pois não me recordo de existir nessa altura.
Foi a evolução necessária provocada pelo aumento significativo do pessoal da Marinha, em Metangula. Em 1964, apenas um pelotão e depois uma Companhia, um Destacamento e mais um montão de gente, a começar pela tripulação de uma quantidade de lanchas de fiscalização e desembarque, etc., etc..

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Primeiros dias da guerra!


Mês de Janeiro do ano de 1965.
Pessoal da CF2 em patrulha no Niassa, na zona entre o Cobué e a fronteira do Tanganika, depois da emboscada sofrida no Lipoche, no dia 9 desse mesmo mês. Nessa altura era muito raro haver alguém com uma câmara fotográfica no bolso, mas desta vez aconteceu. Quem fez a fotografia enviou-ma com o pedido expresso de a publicar neste blog. Ora cá está ela!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A ponte sobre o rio Lunho!

A população reconhece, por outro lado, o incessável esforço que o governo de Filipe Nyusi está fazendo no sentido de transformar as promessas eleitorais em projectos visíveis, nomeadamente nas áreas de abastecimento de água, construção e reabilitação de vias de acesso, expansão das redes de energia eléctrica, sanitária, educacional, entre outras insfraestruturas.
Por exemplo, em Metangula, sede do distrito do Lago, a população testemunhou o lançamento pelo Presidente da República da primeira pedra para a construção de uma ponte sobre o rio Lunho, realização que vai permitir a ligação da vila municipal de Metangula ao posto administrativo de Cóbuè, facilitando desta maneira a ligação à ilha malawiana de Koloma, para onde, regra geral, parte dos habitantes daquela minúscula zona residencial procura o hospital de referência, bem como estabelecimentos comerciais para adquirir produtos de primeira necessidade, principalmente.
Depois destas palavras que não são minhas, vou deixar aqui algumas imagens da velha ponte sobre o rio Lunho que a guerrilha da Frelimo destruiu logo nos primeiros anos da guerra de libertação. Ao fim de 50 anos já era tempo, de facto, de alguém se preocupar em levantá-la de novo. Mas para já, ainda foi apenas a primeira pedra, veremos quanto tempo será preciso para lá colocar todas as outras que fazem falta para a obra ficar completa.






sexta-feira, 3 de junho de 2016

No Cobué, posando para a fotografia!

Foi mesmo pose para a fotografia, pois, que me lembre, nunca fiz serviço de sentinela no Cobué. Nos tempos da CF2 estive lá várias vezes, mas eram ainda tempos de paz e não era preciso andar sempre de G3 em punho. Na comissão da CF8 só lá fui em visita e é dessa altura esta fotografia.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Boa vida? Isso é que era bom!


Chegar ao interior de Moçambique e criar uma cidade a a partir do zero foi o que a Marinha de Guerra Portuguesa fez, logo que foi decidido estabelecer uma base no Lago Niassa. Um posto de rádio e uma pequena lancha de fiscalização foi o ponto de partida para que Metangula começasse a aparecer no mapa.
Uma construtora de Vila Cabral foi contratada para construir os primeiros edifícios para albergar o pessoal e depois disso foi o pessoal da Companhia 2 e, mais tarde, da Companhia 6 quem se encarregou de fazer aparecer aquilo que faltava.


Nas imagens que junto pode ver-se um grupo de trabalho da CF2 a levantar um muro de vedação da área da Base, mais tarde conhecida pelo pomposo nome de «Comando Naval dos Portos do Lago Niassa».
Em 1964, quando lá cheguei com um pelotão de fuzileiros, tinha apenas uma dúzia de homens, entre comando, comunicações e tripulação da Lancha Castor. Lancha essa que na noite de 24 para 25 de Setembro levou umas rajadas de metralhadora, disparadas do ponto mais alto, onde mais tarde viria a ficar instalado o Centro de Comando do Exército. Local onde existia uma segunda cantina para servir a população indígena, a qual era conhecida pela designação de «Cantina da Mulata».
P.S. - Quem tiver bons olhos que se habilite a identificar os trabalhadores, pois os meus já estão a ver tudo desfocado. Mas o Eduardo Bonanza reconheço sem dificuldade.