sexta-feira, 30 de junho de 2017

E.L.N. - Que significa?


A rapaziada que frequenta o Facebook não tem grande habilidade para a fotografia, mas mais vale isto que nada. Não é verdade?
Segundo notícias recebidas, há pouco, a Base está praticamente deserta e as lanchas a cair aos bocados. O Orçamento de Estado está curto e há outras prioridades, muito embora a manutenção da soberania no Lago esteja também em questão. Os vizinhos Malawi e, em especial, a Tanzânia estão de olho nas águas internacionais do Niassa e se Moçambique não toma conta do que é seu, quem sabe o que acontecerá?
Enfim, eles é que sabem!

domingo, 4 de junho de 2017

Os fuzileiros no Cobué!

Os fuzileiros começaram a chegar a Moçambique nos fins de 1962. A guerra começou no mês de Setembro de 1964. Os fuzileiros destacaram para Moçambique 3 tipos de Unidades Militares. A saber:
1 - Companhia - Composta por cerca de 50 homens, vocacionados para a guarnição e defesa das instalações navais.
2 - Destacamento - Composto por cerca de 70 homens vocacionados para operações especiais no teatro de guerra.
3 - Pelotão de Apoio e/ou Reforço - Composto por 28 homens que se distribuiam por zonas de menor impacto ou cobriam as falhas nas outras unidades.
A primeira Companhia que chegou a Moçambique foi a Nº 2. Um dos seus pelotões foi destacado para Metangula, quando a guerra começou.
A Companhia de Fuzileiros Nº 6 foi a primeira que chegou a Metangula, em princípios de 1965, com todo o seu pessoal.
O Primeiro destacamento a chegar a Moçambique foi o Nº 1, com o 1º Tenente Maxfredo ao comando, em fins de 1964. Ficou alojado na Base Naval de Porto Amélia e no princípio do ano seguinte destacou uma parte do pessoal para Metangula. Foi este grupo que rendeu o pelotão da Companhia 2, em Fevereiro de 1965, o qual regressou ao Quartel da Machava, nos arredores de Lourenço Marques.
Os pelotões de reforço eram dirigidos ao Comando Naval e de lá eram distribuídos para onde fizessem mais falta. Eles nem sequer tinham uma numeração, o que torna difícil seguir a sua história. Para minha própria organização, eu identifico-os assim:
1A - 1968/1970
1B - 1970/1972
1C - 1973/1974
2A - 1970/1972
2B - 1972/1974
2C - 1974/1975
3A - 1971/1974
Cada uma das unidades tinha um guião (espécie de bandeira) que o acompanhava para todo o lado. Ver exemplos abaixo:

Guião de Companhia
Reconhece-se pelas armas cruzadas com âncora sobreposta
sobre um fundo branco

Guião de Destacamento
Reconhece-se pelo sabre, em vez das armas cruzadas
sobre um fundo negro

Nas paredes do Colégio de S. Miguel, do Cobué, resistem ainda alguns sinais da passagem dos fuzileiros por aquela terra moçambicana, como este que podem ver abaixo:


Eu diria que isto é o "boneco" pintado por algum artista de ocasião representando o guião de um Pelotão de Apoio e Reforço, como pode depreender-se das letras PAR que são ainda visíveis no centro da imagem. A cercadura, bem como as âncoras e armas cruzadas correspondem ao guião de uma Companhia de Fuzileiros.
Na imagem abaixo vêem-se uma série de números que eu "quase" posso garantir que correspondem aos Números de Matrícula da Armada de alguns membros do Pelotão Nº 2B 1972/1974 que garantiam a segurança do Cobué. quando aconteceu a Revolução do 25 de Abril, em Lisboa. Estes números e os correspondentes nomes constam do livro dos fuzileiros, publicado pelo Comandante Sanches de Baena.


A âncora que aparece ao centro da imagem é o símbolo genérico da Marinha, tal como exemplifica a imagem abaixo.


Um grupo de 30 homens perdidos nas lonjuras do Cobué, sem qualquer meio de distração que os ajudasse a "matar" o tempo, é natural que se entretivesse a pintar as paredes com os mais variados "bonecos" que tivessem algum significado para eles. E os símbolos da Marinha de Guerra Portuguesa estariam em primeiro lugar, penso eu.

sábado, 3 de junho de 2017

Surpresa boa!

Ontem, ao abrir a minha mailbox, vi uma mensagem enviada por alguém que não conhecia a falar-me deste blog e daquilo que escrevi, há dias, a respeito do Cobué. Pelo que percebi trata-se de um malawiano com fortes raízes na Ilha de Likoma e que conhece bem o Cobué. Como manda a boa educação respondi-lhe e aceitei a sua oferta para me mandar algumas fotografias actuais do Cobué. Como toda a gente sabe, fotografias do Niassa valem ouro para mim.
Hoje, enquanto me preparo para continuar viagem, onde vou encontrar alguns dos camaradas que estiveram comigo no Niassa, há mais de 50 anos, abri de novo a mailbox e lá estavam algumas fotografias que , de facto, me surpreenderam. Não pela beleza das imagens em si, mas pelo significado. Vou deixar aqui algumas para vossa apreciação.

DFE 11 - 1972/1974

Sobra apenas a moldura, mas percebe-se que é de um guião militar.
Pode ser de um Destacamento de Fuzileiros, ou do Exército.

Não há dúvida que se trata da âncora da Marinha que alguém
gravou numa das paredes do Colégio de S. Miguel.