sábado, 18 de julho de 2015

Metangula moderna!


Fotografia tirada em 2012, onde se pode ver a estrada que vem de Maniamba, já alcatroada. Um pouco acima deste ponto, talvez no lugar de onde foi tirada a fotografia, um jipão da CF8, conduzido pelo Cristo (camarada de Vila Real de Santo António), infelizmente já falecido, rebentou uma mina, mas sem consequências de maior. Até conseguiu regressar à Base pelos seus próprios meios.


Esta segunda imagem é um recorte da primeira, para mostrar com mais detalhe a zona da outra banda, onde se pode avistar aquilo que foi o Posto Administrativo, ou uma nova construção feita no mesmo lugar. E não podia faltar um indicador típico do Século XXI, a torre de comunicações para levar o sinal de rádio aos telemóveis e computadores que ligam aquela gente ao mundo civilizado. Sem isso, viveriam como em 1964, quando desataram aos tiros para correr connosco de lá para fora.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Recordações!


Quanto mais olho para esta fotografia menos reconheço o local. Se não fosse pela árvore, à sombra da qual tantas vezes me refugiei, e pelo pedacinho da Torre do Farol que aparece do lado esquerdo, eu juraria que este não é o portão de entrada na Base da Marinha de Metangula. Muitas obras deve ter sofrido desde que eu saí de lá, no fim do ano de 1967.
Na guarita do lado esquerdo passei algumas noites de G3 a tiracolo, essa é que não esquece. E um dia, quando estava de sentinela, apareceu-me lá uma cobra de bom tamanho que levou, para ganhar juízo, com uma bala na tola.
Foi há tantos anos!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Lisboa vs Metangula!


Aqui vemos a cantora moçambicana Liloca em Lisboa. Será que alguma vez ela já foi cantar a Metangula? Acredito que não, pois não há qualquer interesse económico/financeiro no assunto e temos que aceitar que o dinheiro é a mola real da vida.
Mas acho que ela, como boa africana que é, gostaria de Metangula como eu gosto!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Um arco-íris sobre o Tchifuli!


A cor escura das águas do lago e o arco-íris sobre a montanha querem dizer que havia tempestade no ar quando foi tirada esta fotografia. Não era assim tão frequente, mas também acontecia.
A águia-pesqueira que sobrevoa a zona de águas baixas, na esperança de filar um belo peixe, completa o quadro que podíamos admirar sempre que rumávamos ao norte, ou de lá voltávamos depois da missão cumprida. Um espectáculo reservado à marujada que navegava nas lanchas da Marinha, durante a Guerra Colonial.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Grande dúvida!


Isto só pode ser Metangula!
Não há nenhuma outra povoação da costa moçambicana do Lago Niassa que tenha construções em cimento armado ou torres de comunicações a não ser Metangula.
Mas por mais que olhe, seja de que ângulo for, fica-me sempre uma dúvida. E se não for? Se o fotógrafo tivesse recuado mais um pouquinho, ou inclinado a máquina, ligeiramente, para a direita, de modo a mostrar o maciço do Tchifuli, tudo seria mais fácil.
Ampliei a fotografia, procurei a torre do farol, fiz trinta por uma linha, mas não posso garantir que aquilo que se estende na frente dos vossos olhos seja, em primeiro plano, a península de Metengula, ao meio a Chuanga e por trás daquela última ponta que se vê ao longe, o Cobué.
Quem souber mais que eu que fale!!!!!

sábado, 16 de maio de 2015

Vivinho da Silva!


Um dois, esquerdo direito!
Quando me alistei na Marinha, foi assim, durante três meses, até jurar bandeira. Para trás e para a frente, com a Mauser ou sem ela, até romper a sola das botas da ordem.
No Lago Niassa, também os pescadores têm que remar certinho, senão não saem do sítio. Não sei se um deles vai cantando a mesma cantilena, um dois, à esquerda à direita, ou se já estão tão habituados que nem da cantilena precisam. Talvez seja o da proa que marca o ritmo e o outro limita-se a copiar os seus gestos.
Ontem, como vos disse, andei a dar uma volta geral pelos blogs e pelo Facebook, mas não tive tempo de vir acender o Farol que já estava às escuras há bastante tempo. Pois cá estou para cumprir o meu dever e manter o interesse daqueles que ficaram ligados a Moçambique e ao Niassa como eu. Infelizmente não tenho conseguido fotografias actuais, nem notícias que valha a pena publicar, mas sempre vou encontrando alguma coisa na net que vai tapando o buraco.
E assim vai a vida!

domingo, 12 de abril de 2015

Votado ao esquecimento!

Há tempos que não venho aqui!
Mesmo com a ajuda do Facebook, não consigo arranjar material para dar vida a este moribundo. Aquela rapaziada que mora na «Princesa do Niassa» só faz fotografias da sua própria cara e com telemóveis nunca são de boa qualidade. E as que tenho nos meus arquivos são mais conhecidas que a pachacha da Ciciolina e nem vale a pena pensar nela(s).
Que poderei eu fazer para alterar este estado de coisas?
Alguém sabe?
Então, digam-me, por favor!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Quo Vadis Moçambique!

A Renamo pretende a criação imediata de autarquias de nível provincial nas províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, usando como base, os resultados das eleições de 2014, que deram maioria ao partido ou seu candidato, nas seis regiões do país.
De acordo com o Projecto de Lei Sobre o “Quadro Institucional das Autarquias Provinciais”, submetido nesta segunda-feira na Assembleia da República, no seu artigo 65, que versa sobre a criação da nova estrutura administrativa, nas seis províncias deverão ser criados “Conselhos Provinciais”, compostos pelos membros das assembleias provinciais eleitos nas eleições de 15 de Outubro de 2014, validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.
Publicado em «O País»


Eu entendo a questão levantada pelo Dhlkama, mas duvido que dê bons resultados. Atendendo ao ditado que diz que «A união faz a força», devo lembrar que o oposto também é verdade, ou seja, «um povo desunido é um povo enfraquecido». Moçambique não é um país rico que possa dar-se ao luxo de se partir em dois e duplicar as dificuldades que já são enormes.

terça-feira, 10 de março de 2015

Vila Cabral - Lichinga!

Nos velhos tempos da era colonial, o governo português não fez grande coisa pelo desenvolvimento do Niassa. Se não fosse a eclosão da guerra de libertação, a capital da província seria um atraso de vida. A guerra, a movimentação de tropas e o enorme aumento da população branca nas cidades do norte de Moçambique provocou um boom de desenvolvimento como nunca antes tinha acontecido. A logística a que a guerra obrigava fez correr muito dinheiro e aumentar os negócios, especialmente no comércio de bens de consumo. Vila Cabral tinha um aeroporto, mas eram raros os aviões que o usavam. Nos últimos anos da guerra aumentou o tráfego de aviões e helicópteros militares, o que somado à chegada do comboio, inaugurado em meados de 1969, fez Vila Cabral dar um salto considerável


Hoje em dia, é ao governo de Moçambique que cabe a responsabilidade de fazer alguma coisa para modernizar a cidade, agora chamada Lichinga, e melhorar as condições de vida de quem lá vive. Mas, tal como aconteceu nos tempos de Salazar, também agora o Niassa está a ficar esquecido. As estradas e vias férreas estão ao abandono e embora os políticos, durante as campanhas eleitorais, prometam mundos e fundos, não acontece nada. E agora, com a baixa monumental do preço do petróleo e o abandono de alguns investimentos de vulto, as coisas podem piorar ainda, porque a disponibilidade financeira é altamente deficitária e sem dinheiro não se faz nada.


Só um milagre poderá ajudar as gentes do Niassa a melhorar de vida. E gente honesta e trabalhadora nos cargos que gerem os interesses públicos, senão será preciso mais que um milagre.
A fotografia a cores é mais nova que a outra uns bons 40 anos, mas além da cor pouco mais mudou naquele aeroporto que eu tão bem conheci, nos anos em que por lá andei, entre 1964 e 1968. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Tudo em paz!


Muito barulho, muito barulho, mas lá acabaram por tomar conta da pasta. Mais vale assim e pode ser que durante os próximos cinco anos consigam amadurecer a sua cultura política e participar nas próximas eleições sem as poucas vergonhas que aconteceram em 2014.
Eu acredito que a Renamo conseguirá melhores resultados tendo os seus representantes no Parlamento do que andando de AK47 ao ombro lá pelas matas da Gorongosa. Como diz um ditado que eu aprecio, o caminho faz-se caminhando e cada dia vivido em democracia e no respeito pelos direitos do povo moçambicano será uma grande vitória para todos.
Entendo, por conseguinte, que a decisão do Afonso Dhlakama foi a mais acertada e congratulo-me com isso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nampula vai fazer parte ...!



No passado sábado, em Nampula, Afonso Dhlakama afirmou que a República do Centro e Norte de Moçambique é para valer e não há nada que o faça voltar atrás. Em democracia diz-se que «O Povo é quem mais ordena», mas daí até fazer isso funcionar em Moçambique vai uma distância igual à que separa o sonho da realidade.
A verdade é que os comunistas da Frelimo não têm conseguido melhorar o nível de vida das populações e isso dá pano para mangas no discurso que o líder da Renamo usa para pôr em ebulição o povo descontente. Mas os recursos que Moçambique tem ao seu dispor estão muito longe de ser suficientes para fazer tudo aquilo a que o povo se acha com direito e aí reside o grande problema. O petróleo e gás da Bacia do Rovuma pareciam ser a solução para este problema, num futuro próximo, mas a enorme baixa de preços fez travar muitos dos investimentos que estavam em curso. Agora vai ser preciso esperar e gerir com muito cuidado os recursos existentes, até que o mundo dê a volta a esta situação.
Por isso se aconselha calma aos apoiantes da Renamo, para que na sua pressa de se verem livres da Frelimo não ponham em causa o seu futuro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O Licungo e as cheias!

Muita água há no Niassa, mas fica quietinha dentro das margens do lago sem causar problemas a quem por lá mora. Outro tanto não acontece na Zambézia, onde os rios transbordaram causando enormes prejuízos e pondo em risco a vida de quem lá mora. A cidade de Mocuba, nas margens do rio Licungo, é uma das mais atingidas com estradas cortadas, pontes que ruíram e por aí fora. A água é fonte da vida, mas quando ela vem em excesso é também causa de morte.
Algumas imagens recolhidas na internet para ilustrar aquilo que vos tento transmitir.

Uma beleza quando está calmo!

Parte da ponte foi rio abaixo!

Abandonar a casa para salvar a vida!

Tudo debaixo de água!

As águas em fúria levam tudo à sua frente!

Ponte em risco de ir na corrente do rio!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Curiosidades!

População estimada para
o ano de 2014 

  Distrito de Lichinga        -     204.860 
   Distrito de Cuamba        -     236.661 
   Distrito de Lago            -     107.943 
 Distrito de Majune           -      37.222 
 Distrito de Mandimba      -   176.497 
Distrito de Marrupa          -     66.539 
Distrito de Maua              -      60.639 
Distrito de Mavago          -      26.988 
Distrito de Mecanhelas    -    246.654 
Distrito de Mecula             -     16.871 
Distrito de Metarica        -       55.015 
Distrito de Muembe        -       36.669 
Distrito de N'Gauma       -       94.598 
Distrito de Nipepe          -        36.508 
Distrito de Sanga           -        69.016 

Provincia de Niassa        -     1.593.483 
Moçambique                 -   25.041.922

domingo, 18 de janeiro de 2015

Guerra não, por favor!

Pescadores no Lago Niassa

O líder da Renamo afirmou, ontem, em Tete, que não aceita de modo nenhum o governo da Frelimo empossado esta semana na capital. Dhlakama tem uma certa razão quando se queixa das manigâncias levadas a cabo pelos frelimistas para fazer o resultado das eleições pender para o seu lado, mas não acredito que o resultado final fosse diferente. Talvez um bocadinho mais equilibrado, mas nunca de sentido inverso.
A actuação da Renamo nas províncias do norte, durante os anos de guerra civil, deixou marcas que dificilmente se apagarão da memória de quem as viveu. A rivalidade entre as duas facções em litígio provocou uma verdadeira carnificina, a fazer lembrar os tempos do Gungunhana. Um morto a tiro não provoca grande impressão, já um cadáver mutilado à catanada nunca mais se apaga da memória de quem o vê. E no Niassa há muita gente que tem essas imagens bem gravadas na sua mente.
Quer tenha sido a Frelimo ou a Renamo a maior responsável por esses tristes acontecimentos, o que todos querem é que eles nunca mais se repitam. Entre gente civilizada, as questões não se resolvem a tiro nem à catanada, mas sim discutindo os problemas e resolvendo-os de acordo com a vontade da maioria do povo a quem eles dizem respeito. Espero que os jovens do Niassa compreendam isto e não se deixem influenciar por políticas ou políticos menos honestos e que apenas pensam no seu próprio benefício, deixando o povo esquecido e a viver com os recursos que Deus pôs à sua disposição quando criou o mundo, há milhões de anos. Para isso não são precisos políticos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Um cantinho do céu!


Cuamba está debaixo de água, como se pode ver na imagem. Aliás, não é só Cuamba que sofre deste mal nesta altura, a zona de influência do Zambeze e seus afluentes está ainda pior. Metangula é um cantinho do céu que os deuses protegem e onde nada destes desastres acontece. Há lá muita água, mas toda arrumadinha no sítio certo, como mandam as regras e a gente gosta!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Fotografia precisa-se!


Vê-se nesta imagem o cruzamento da EN249 que segue em direcção a Lichinga com a estrada que segue em direcção a norte, para a Chuanga e Michumwa (antiga Nova-Coimbra). Mas há qualquer coisa que não bate certo, a EN249 já foi alcatroada há alguns anos e aqui continua em terra batida, ou seja, está desactualizada.
Não haverá uma alma santa em Metangula que faça uma foto actualizada e a deixe no Facebook para eu a publicar aqui?
Eu sei que eles usam apenas telemóveis, mas alguns já têm qualidade suficiente para fazer uma boa foto e com um pouco de habilidade a coisa pode resolver-se. Vamos a isso metangulenses?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Feliz Natal!


Para todos os leitores deste blog!
Para todos os Moçambicanos!
Para todos os Nyanjas!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sol, o pai da natureza!


O Sol faz nascer, crescer e florescer tudo o que é vegetal sobre a Terra. E se juntarmos um pouquinho de água para a indispensável rega, temos tudo o que faz falta à raça humana para sobreviver neste bendito planeta. Foi assim no princípio do mundo e pouco diferente disso é, ainda hoje, no interior norte de Moçambique.
Os habitantes das margens do Lago Niassa têm a sorte de viver num belo recanto da Terra, onde sol, água e um clima ameno lhes adoçam um pouco a vida que vivem de um modo que pouco difere dos tempos antigos. Um pouco de agricultura e criação de gado, além da caça e pesca é tudo o que precisam para serem felizes.
E depois, para aqueles que têm olhos para isso, há também espectáculos naturais de encher o olho, como o pôr do sol que a imagem acima documenta. Coisas assim fazem os poetas soltar as suas rimas e oferecer-nos lindos poemas que embelezam ainda mais o quadro.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Atraso de vida!


Metangula é sem dúvida a zona mais desenvolvida do Lago Niassa. As outras povoações que merecem menção especial, mas estão muito longe da modernização conseguida por Metangula, são o Cobué, Meponda e Meleluca, esta última a mais pequena de todas. Até no acesso ao Facebook se nota onde há e onde falta a influência das Telecomunicações de Moçambique. Digo isto porque ainda não encontrei um único utilizador que diga morar no Cobué ou em Meponda.
No entanto algum desenvolvimento é visível nestas zonas, como se pode ver pela reabilitação em curso na igreja do Cobué que tinha sido incendiada durante a guerra que felizmente faz parte do passado. Mas sem vias de comunicação que possibilitem a movimentação das pessoas, sem meios de comunicação ou energia eléctrica é pouco provável que o desenvolvimento chegue lá tão depressa como seria desejável.
As populações que vivem nessas zonas mais remotas do Niassa contam apenas com Deus e a natureza para sobreviverem, tal como há centenas de anos atrás. E às vezes dou comigo a pensar que talvez sejam mais felizes assim, livres da globalização e dos problemas que ela arrasta consigo. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Raça negra!

Às vezes ponho-me a pensar quem foi que decidiu este nome para denominar a raça africana, aquela de que todos descendemos, segundo dizem os estudiosos.


Olhando para esta imagem eu não encontro nada negro. Há em Moçambique muita gente com esta cor e que a mim me parecem belíssimos exemplos da raça humana. Há muitos brancos que gastam dias na praia e toneladas de bronzeador para tentar ficar assim e sem o conseguir.
Estou certo ou estou errado?