sábado, 22 de outubro de 2016

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Bela Nyanja!

Encontrei esta foto por aí, a vogar na internet, dizendo tratar-se de uma mulher Nyanja. Não sei se é verdade ou mentira, o que sei é que se trata de uma bela mulher e, por conseguinte, digna de figurar neste blog que só trata de coisas bonitas.
Este fim de semana realizou-se um festival de música e dança na Messumba (ou Chuanga?) e aguardo que os meus amigos do Facebook publiquem algumas fotos que valha a pena publicar aqui, mas enquanto isso não acontece vamos-nos contentando com este pedaço de verdadeira beleza africana.

domingo, 11 de setembro de 2016

Rebobinar o filme da nossa memória!

A cada passo, dou uma vista de olhos pelas fotos que aparecem na net relacionadas com o Niassa, em geral, e Metangula, em particular. Há muitas fotos antigas, do tempo da guerra colonial, mas na sua maioria representam caras que me são totalmente desconhecidas, ou lugares por onde nunca passei e por isso sem significado para mim. E tenho a impressão que deve haver algum imbróglio entre a Google e o Facebook, pois há muitas fotos neste que não são localizadas pelo motor de pesquisas da Google. Ao contrário, tudo aquilo que se carrega através do Blogger vai lá direitinho.
Na minha última pesquisa, encontrei esta foto de uma das lanchas da Marinha de Guerra Portuguesa em serviço no Lago Niassa, entre 1966 e 1975 (datas aproximadas). Quem a publicou deu o nome de «Castor» à lancha, mas eu tenho quase a certeza que se trata da Regulus e não da Castor. Naveguei a bordo de ambas e sei que eram bastante diferentes, desde o casco, o tamanho, as superestruturas, etc..


Encontrei também esta outra fotografia que retrata o «Bar do Neves», sítio onde depositávamos religiosamente as nossas economias como se de um banco se tratasse. Lembro-me como se fosse hoje que ali apanhei a maior torcida da minha vida Éramos seis camaradas da CF8 e, depois de ter emborcado umas quantas bazucas, ao jantar, despejamos sete (7) garrafas de Johnny Walker para acompanhar o cafezinho que tomámos depois. Na manhã seguinte, acordei na minha cama, mas como fui lá parar não faço a menor ideia.


Antes de construirem esta casa, o casal Neves e Maria (ama dos filhos do comandante da base) vivia dentro da Base, no edifício mais a norte que era reservado aos sargentos. Por trás desse edifício tinham o galinheiro, de onde foi surripiado o galo que serviu de jantar e antecedeu o mar de whisky em que o fizemos nadar depois.
Coisas da juventude que não esquecem e faz bem recordar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Perto do Cobué!


Recentemente, um turista viajou do Malawi para Moçambique via Ilhas de Likoma e Cobué. Como o seu destino era o sul de Moçambique, não teve outro remédio senão enfrentar a viagem do Cobué até Metangula por estrada, a única que existe e que é a mesma que já existia quando por lá passei, em 1964. Aproveitando um ponto alto do trajecto, virou-se para trás e tirou esta fotografia que vos mostro aqui.
Nesses tempos usávamos essa estrada para ir à caça. Alguns anos depois ficou intransitável por causa das minas que os frelimistas por lá espalhavam, principalmente na zona do Lunho. Ainda são perto de 100 Kms que por certo não serão uma pera doce para fazer numa estrada com estas características, mas, como diz o ditado, quem corre por gosto não cansa. É aquilo a que se pode chamar o verdadeiro turismo de natureza, há por ali leões e tudo.

sábado, 20 de agosto de 2016

Nada mudou em 50 anos!


Esta é uma imagem recente tirada numa qualquer aldeia do Niassa, em Moçambique. Eu que me passeei por muitas localidades do Niassa, antes e durante a Guerra de Libertação, posso garantir que nada difere daquilo que por lá vi nesse tempo. As mesma capulanas, os mesmos utensílios de cozinha, a criança pendurada na mama da mãe, etc..
Basta-me fechar os olhos e vejo esta mesma imagem que me ficou gravada na memória dos tempos que passei no Niassa.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Peixinhos do lago!


Pesquei esta imagem numa notícia cujo título era "Maniamba". Achei estranho, pois que eu saiba o lago não chega a Maniamba e, portanto, parti do princípio que isto só pode ser Metangula ou perto daí e tudo que diga respeito a Metangula me interessa.
Numa fase mais aguda da guerra, no ano de 1967, faltou-nos o abastecimento. O Dakota que nos abastecia avariou e a estrada para Vila Cabral estava também cortada, com as pontes do caracol dinamitadas. No paiol só tínhamos farinha para a padaria, fardos de bacalhau e montes de massa (cotovelos). Como a carne também não era fácil de arranjar, teve que ser o bacalhau a dominar as receitas. Mas bacalhau com massa não é grande petisco e para criar alguma variedade na ementa começámos a ir à pesca. Um bote a remos, duas granadas e ... lá vai disto. Só que peixe de água doce com massa é ainda pior que bacalhau.
Durou para cima de um mês essa situação e quando vimos o Dakota surgir, de novo, nos céus de Metangula, demos graças a Deus pelo fim da dieta forçada. Entretanto começou a funcionar a linha de abastecimento do Catur a Metangula, via Meponda e nunca mais houve problemas. Bons amigos meus foram motoristas dos camiões que faziam esse serviço, nomeadamente, o Licínio, o Jaquim Alturas e o Tony Conquistador.
Isto também é História, contada por mim e lida por vós que aqui me vindes visitar!

sábado, 23 de julho de 2016

Será que é desta?


Se o presidente da república já chegou a Metangula, é bem possível que o resto também chegue. Que lancha será esta em que ele navega no lago? Até à chegada do Chambo não havia ali barco que merecesse tal nome, só pirogas e pouco mais, usadas pelos pescadores para garantir o seu sustento. Pelo aspecto dos comandos a que se agarra o presidente parece coisa nova e moderna. Esperemos que sim, pois Metangula merece.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Nada como a natureza!

Fui dar uma volta até Metangula e vejam o que encontrei! Uma obra-prima da natureza que não se pode encontrar em Roma, Milão ou Paris. E nem em Londres ou Nova Iorque se encontra tanta beleza junta. O lago, os frutos e a Eva negra ... com pelo e tudo, o melhor que a natureza tem para nos oferecer e ... tudo de borla!


Neste dia, em que se prepara a noitada de S. Pedro, em que não vai faltar comida, bebida e batuque, até que o sol volte a espreitar no oriente, eu quis oferecer esta prenda aos resistentes que continuam a visitar os blogs em detrimento do Facebook que eu comparo ao Mac Donalds, um restaurante de «Fast Food» que não interessa a ninguém.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Evolução no tempo!


No edifício que se vê em primeiro plano, dormi durante 3 meses, no ano de 1964. Nenhum dos edifícios que se vêem à volta, quer dentro da Base quer fora, existia nessa altura. E até a parte mais branquinha deste edifício me parece ter sido construída depois, pois não me recordo de existir nessa altura.
Foi a evolução necessária provocada pelo aumento significativo do pessoal da Marinha, em Metangula. Em 1964, apenas um pelotão e depois uma Companhia, um Destacamento e mais um montão de gente, a começar pela tripulação de uma quantidade de lanchas de fiscalização e desembarque, etc., etc..

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Primeiros dias da guerra!


Mês de Janeiro do ano de 1965.
Pessoal da CF2 em patrulha no Niassa, na zona entre o Cobué e a fronteira do Tanganika, depois da emboscada sofrida no Lipoche, no dia 9 desse mesmo mês. Nessa altura era muito raro haver alguém com uma câmara fotográfica no bolso, mas desta vez aconteceu. Quem fez a fotografia enviou-ma com o pedido expresso de a publicar neste blog. Ora cá está ela!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A ponte sobre o rio Lunho!

A população reconhece, por outro lado, o incessável esforço que o governo de Filipe Nyusi está fazendo no sentido de transformar as promessas eleitorais em projectos visíveis, nomeadamente nas áreas de abastecimento de água, construção e reabilitação de vias de acesso, expansão das redes de energia eléctrica, sanitária, educacional, entre outras insfraestruturas.
Por exemplo, em Metangula, sede do distrito do Lago, a população testemunhou o lançamento pelo Presidente da República da primeira pedra para a construção de uma ponte sobre o rio Lunho, realização que vai permitir a ligação da vila municipal de Metangula ao posto administrativo de Cóbuè, facilitando desta maneira a ligação à ilha malawiana de Koloma, para onde, regra geral, parte dos habitantes daquela minúscula zona residencial procura o hospital de referência, bem como estabelecimentos comerciais para adquirir produtos de primeira necessidade, principalmente.
Depois destas palavras que não são minhas, vou deixar aqui algumas imagens da velha ponte sobre o rio Lunho que a guerrilha da Frelimo destruiu logo nos primeiros anos da guerra de libertação. Ao fim de 50 anos já era tempo, de facto, de alguém se preocupar em levantá-la de novo. Mas para já, ainda foi apenas a primeira pedra, veremos quanto tempo será preciso para lá colocar todas as outras que fazem falta para a obra ficar completa.






sexta-feira, 3 de junho de 2016

No Cobué, posando para a fotografia!

Foi mesmo pose para a fotografia, pois, que me lembre, nunca fiz serviço de sentinela no Cobué. Nos tempos da CF2 estive lá várias vezes, mas eram ainda tempos de paz e não era preciso andar sempre de G3 em punho. Na comissão da CF8 só lá fui em visita e é dessa altura esta fotografia.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Boa vida? Isso é que era bom!


Chegar ao interior de Moçambique e criar uma cidade a a partir do zero foi o que a Marinha de Guerra Portuguesa fez, logo que foi decidido estabelecer uma base no Lago Niassa. Um posto de rádio e uma pequena lancha de fiscalização foi o ponto de partida para que Metangula começasse a aparecer no mapa.
Uma construtora de Vila Cabral foi contratada para construir os primeiros edifícios para albergar o pessoal e depois disso foi o pessoal da Companhia 2 e, mais tarde, da Companhia 6 quem se encarregou de fazer aparecer aquilo que faltava.


Nas imagens que junto pode ver-se um grupo de trabalho da CF2 a levantar um muro de vedação da área da Base, mais tarde conhecida pelo pomposo nome de «Comando Naval dos Portos do Lago Niassa».
Em 1964, quando lá cheguei com um pelotão de fuzileiros, tinha apenas uma dúzia de homens, entre comando, comunicações e tripulação da Lancha Castor. Lancha essa que na noite de 24 para 25 de Setembro levou umas rajadas de metralhadora, disparadas do ponto mais alto, onde mais tarde viria a ficar instalado o Centro de Comando do Exército. Local onde existia uma segunda cantina para servir a população indígena, a qual era conhecida pela designação de «Cantina da Mulata».
P.S. - Quem tiver bons olhos que se habilite a identificar os trabalhadores, pois os meus já estão a ver tudo desfocado. Mas o Eduardo Bonanza reconheço sem dificuldade.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Despojos de guerra!


Em Metangula, resiste ainda a velha carcaça de uma Berliet que por lá deixámos, depois de terminada a guerra. Um amigo perguntou-me se queria que tirasse umas fotografias e eu disse-lhe logo que sim. São os testemunhos da nossa passagem por lá. Também me calhou fazer algumas viagens em cima delas e "cagava-me" de medo.
No ano de 1966, toda a CF8 foi transportada nestes camiões, do Catur até Meponda, altura em que estavam na moda os LGF que disparados da berma da estrada contra um camião carregado de homens podiam fazer uma mortandade sem limites. Só respirei de alívio quando me vi dentro da nossa lancha e no meio do Lago.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Os pescadores e os peixes!

Um dos meus amigos do Facebook publicou esta fotografia (entre outras), com uma legenda que dizia - muitos peixes e poucos compradores. Numa terra como Metangula, onde quase todos são pescadores, eu até percebo a mensagem. Se em cada família há pescadores, nunca haverá quem lhe compre os peixes que não conseguem comer. A solução passa por secá-los para fazer uns petiscos quando não puderem ir à pesca. Gostei da fotografia, pelo recorte das montanhas que se vê ao fundo, e resolvi trazê-la para aqui para ilustrar esta minha mensagem e assim manter este blog com alguma actividade. Embora não sejam muitos, eu sei que há alguns fiéis seguidores que passam por aqui de vez em quando e gostam de ver coisas novas.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Batalhão de Cavalaria 1879!

Emblema do Batalhão


Malta do exército que esteve connosco no Niassa e que sofreu uma quantidade de mortos e feridos, um deles o Manuel Sousa que escreveu o comentário que transcrevi na mensagem anterior.
Vila Cabral, Maniamba, Nova Coimbra, Metangula e Cobué, tudo lugares bem conhecidos da minha pessoa, foram as localidades por onde se espalhou o batalhão, enquanto esteve no Niassa. De Lisboa a Nacala de navio, de comboio atá ao Catur e depois em cima das Berliets do exército atá ao destino final. Exactamente o mesmo trajecto que eu (e a CF8) fiz, mais ou menos na mesma altura.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Picada para Nova Coimbra!


Agora é raro passar por aqui, pois falta-me material para publicar. Não consegui os contactos que pretendia em Metangula, não tenho fotografias novas nem notícias que valha a pena publicar, portanto as hipóteses são poucas.
No entanto, hoje, recebi uma mensagem via Facebook que acho que vale a pena deixar aqui. Ora vejam:

«Caro amigo estive a ver fotos que o senhor tem no facebok e vi que o amigo também esteve em Metangula, na Marinha. Pois eu passei bons bocados lá na Base, íamos jogar futebol de salão à noite. Estive em Metangula desde Junho de 66 a Março de 67, pois era radiotelegrafista na CCS do Batalhão de Cavalaria 1879, as Companhias estavam assim distribuídas:
A CCS em Metangula, outra em Maniamba, outra no Cobué e a última em Nova Coimbra.
Aquele maravilhoso lago com aquelas aguas mornas onde todos os dias íamos ao banho, enfim tenho saudades daquele local. Fui ferido numa emboscada, na estrada que liga Metangula a Nova Coimbra. Foi num sábado, 4 de Março de 67, íamos levar correio à Companhia que estava em Nova Coimbra e os tipos estavam à nossa espera. Levei um tiro na coluna e uns estilhaços de granada iam-me limpando o sebo, mas ainda cá ando.
Fiquei paraplégico, numa cadeira de rodas, passei 3 anos no hospital, em Lisboa, a recuperar e vou resistindo. Gosto de falar sobre Metangula, se fosse perto gostava de lá ir, mas aquilo tem poucas condições para pessoas como eu, apesar de que já fui ao Brasil e são 9 horas de viagem. E por hoje é tudo.
Um abraço»

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Passei por aqui!

Há quase um mês que por aqui passei a última vez! As visitas são cada vez mais raras, tal como as lembranças que tenho de Metangula que aos poucos se vão apagando da minha memória. Os amigos do Facebook são todos bons rapazes, mas como repórteres fotográficos são uma perfeita nódoa. Não enviam uma única fotografia que se aproveite para eu publicar aqui.


Esta imagem que aqui vos deixo, juraria que já a publiquei no passado, mas é uma bela imagem da praia de Seli, em Metangula, e ninguém se vai zangar comigo por a trazer aqui de novo. E serve como ilustração destas poucas palavras que aqui deixo para provar que passei por aqui neste dia.